Na quinta-feira, 13 de agosto de 2026, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, denunciou a pressão exercida por empresas não bancárias para que utilizem o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na captação de recursos de varejo. O comentário veio em meio à celebração dos 30 anos do fundo, que tem sido peça-chave na estabilidade do sistema financeiro brasileiro.
Galípolo destacou que muitas micro e pequenas empresas buscam autorização para operar de maneira semelhante aos bancos, contando com as garantias do FGC, mas não dispõem de ativos suficientes para sustentar tal operação. Ele considerou esse comportamento indesejável e pediu que os reguladores coíbam a prática.
O presidente também apontou que as empresas de intermediação, ao competir com os bancos, adotam regras mais brandas de captação, prazos mais longos e exigem menos garantias. Isso cria um cenário de competição desigual e pode colocar em risco a solidez do sistema.
Em entrevista, Galípolo ressaltou a importância do FGC como instrumento de estabilização, explicando que o fundo atua como um amortecedor de choques financeiros, reembolsando depósitos e investimentos em caso de falência de instituições financeiras.
O evento de comemoração marcou 30 anos desde a criação do FGC, em 16 de novembro de 1995, que foi concebido para proteger pequenos investidores e fortalecer o sistema financeiro no contexto do Plano Real. O fundo desempenhou papel decisivo durante a crise global de 2008, oferecendo segurança aos correntistas.
Recentemente, o FGC reembolsou cerca de R$ 40,6 bilhões a investidores afetados pelo escândalo do Banco Master, cobrindo aproximadamente 1,6 milhão de credores. Em resposta ao impacto, o fundo aprovou um plano de emergência que prevê um aumento de até 60% nas contribuições adicionais das instituições associadas para recompor seu caixa.
Para quem tem depósitos ou investimentos garantidos pelo FGC, o fundo reembolsa até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, com um teto global de R$ 1 milhão em quatro anos, visando preservar a confiança dos investidores.
A celebração incluiu a exposição “O FGC e a Rede de Proteção do Sistema Financeiro Nacional”, que ficará em exibição no Prédio das Moedas, sede da B3, até 30 de setembro. A mostra apresenta a trajetória do fundo e seus impactos na economia brasileira.







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